O poder da sedução discutido em português

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Sunday, January 31, 2010

DISSERTAÇÃO SUBORDINADA AO TEMA: JOGO DA SEDUÇÃO - FÓRMULA OU ANTÍDOTO PARA O AMOR?

a minha história

Como a grande maioria dos novos iniciados, a minha porta de entrada n”O Jogo” foi pelo best seller de Neil Strauss , “The Game”, em Janeiro do ano passado. O livro foi cortesia de Kamil, um amigo polaco de grande estima.

Não querendo adiantar os detalhes da história, ele, em algumas conversas, não resistiu a levantar o pano sobre o assunto principal do livro, e com um notório entusiasmo. E, pelo respeito e estima que ele me merece, eu era todo ouvidos; cá para nós, não estava mesmo a ver o que havia ali de especial. “Mais uma charlatanice sobre como engatar miúdas, como se as mulheres fossem todas iguais, e para esses assuntos existissem fórmulas de sucesso”, pensava eu. “Se calhar andei todos estes anos completamente enganado, querem ver?”…”Essas coisas do amor, química, acontecem naturalmente”…

Bem, o rapaz comprou-me o livro, não vou fazer a desfeita, mal não vai fazer.

Qual desfeita qual quê…a páginas tantas eu era só gargalhadas!!! E este é o sentimento mínimo que todos os leitores partilham sobre o livro, vão achá-lo demasiado cómico para ser tão realista! Está escrito de uma forma bem divertida, e todos, homens e mulheres, vamos poder rever-nos em uma ou outra passagem. No meu caso, em várias passagens, confesso sem vergonha. E tudo se encaixava, tudo fazia um enorme sentido, até mesmo aquelas coisas que eu pensava que aconteciam só comigo…era muita coincidência para ser ignorada.

Com um final feliz que me inspirou, terminei o livro cheio de vontade de saber mais! Eu acreditava que tinha potencial para desenvolver, que não estava a viver a todo o fôlego como gostaria…Particularmente no que diz respeito a mulheres, achava que era suposto eu ter mais sucesso do que aquele que vinha tendo. Por me achar um bom rapaz, cheio de qualidades, sentia-me frustrado por não estar a ter uma vida amorosa satisfatória, que dizer da minha vida sexual – era tão aleatória como um jogo de dados e tão esporádica como os campeonatos do Benfica (perdoem-me o exagero, claro, eu dava umas de vez em quando)…

Aos 25 anos, tenho a modesta soma de 2 namoradas e uns trocados…a primeira durou 2 anos e a segunda, 1 mês. Em comum - ambas terminaram o relacionamento comigo, num momento em que eu achava que estava a fazer tudo bem. As marcas que ficaram, são proporcionais ao tempo de duração. As aprendizagens, essas são muito maiores.

O tempo foi passando, e a frustração aliada à ignorância faziam-me procurar as respostas nos lugares errados, e era então que classicamente culpava as mulheres, porque ora são bonitas mas ocas, ora interessantes mas feias, ou antipáticas e fúteis, ou só querem gajos com guita, ou só gostam dos gajos que as tratam mal, ou talvez não sou suficientemente bonito, ou alto, ou forte…vá-se lá entender as mulheres, cada vez entendia menos, PQP…

O poder do mito

Todos os mitos sobre relacionamentos criam um nevoeiro denso de velhas opiniões formadas, clichés; entender os homens e as mulheres é uma ciência oculta, toda a gente aceita passivamente que essas coisas do amor não podem ser explicadas nem compreendidas; é algo mágico, sobrenatural, divino, espiritual. E assim deve permanecer, pois só assim é “natural”.

Em tempos, o Homem acreditava que o relâmpago era algo mágico, sobrenatural, divino, espiritual. Tentar explicá-lo era absurdo, “contra-natura”. Com esforço, conseguimos deixar para trás velhas opiniões, de enorme peso histórico e social, e hoje aceitamos que o relâmpago é um fenómeno provocado por descargas eléctricas.

Ninguém deixou de admirar a beleza do fenómeno, a majestade da natureza em todo o seu esplendor.

Sedução, um jogo de estratégia

Bem, vamos ao que interessa. Poderá o amor alguma vez caber numa fórmula? Não, as variáveis são infinitas. Vamos inverter a pergunta. Poderá alguma fórmula produzir o amor? A minha pesquisa nos últimos 12 meses leva-me a um grande e gordo SIM. O desafio será explicar o conceito de fórmula aplicado a este assunto, e as múltiplas definições individuais do amor.

Da forma mais superficial possível, o jogo, como é apresentado no livro, consiste basicamente no seguinte:

- Especialistas na arte da sedução dão cursos a homens sobre como engatar miúdas; ensinam frases feitas para a abordagem inicial (openers); regras básicas de linguagem corporal, para facilitar a entrada num grupo de pessoas estranhas; formas subtis mas eficazes de demonstrar qualidades tidas como atraentes aos olhos das mulheres; frases feitas para baixar o ego da brasa – o alvo; dicas para isolar o alvo; formas de criar empatia com o alvo; frases feitas para obter o número de telefone (Number Close – NC), um beijo (Kiss Close - KC); como marcar um encontro no dia seguinte e como conseguir levar o alvo para a cama (Fuck close – FC). Fim.

Que gelo, parece uma linha de montagem de relacionamentos, onde a matéria-prima e o produto são iguais - um grande vazio.

Todo este processo é muito bem detalhado, dividido em etapas, para que os alunos saibam exactamente em que fase estão com a mulher e o que fazer para progredir para a fase seguinte. Como uma missão, naqueles videojogos de estratégia. ESPEREM LÁ, É EXACTAMENTE ISSO!!...

Vamos pensar, qual a população masculina onde há a maior taxa de insucesso com o sexo oposto? A mesma com maior taxa de consumo de videojogos! Claro, OS “NERDS”…ou como se diz na minha terra, “os cromos da FEUP”, ou pior, do ISEP…Perdoem o estereótipo, mas entendem o que quero dizer.

Enquanto as meninas da idade deles brincavam com bonecas, às casinhas, aos pais e às mães, desenvolvendo já uma inteligência social indispensável aos anos vindouros, onde é que estavam os “nerds”?? Pois é, estavam em casa, de pijama o dia todo, com a língua de fora a jogar consola.

Com os pais dos “nerds” a trabalhar o dia todo, sobram, pouco tempo com os filhos e muitas lacunas na educação; pela falta de certas aprendizagens sociais, são percebidos como estranhos, esquisitos e começam a ser gozados na escola; são postos de parte pelos pares, implacáveis, e têm assim pouca participação nas brincadeiras e nos jogos; como não jogam muito e a sua participação não é incentivada, desenvolvem baixa auto-estima, carácter introvertido e tímido e um fraco jeito para o desporto; no futuro o pouco apreço pelo desporto vai resultar num corpo menos saudável, menos atraente, menos auto-estima, mais se fecham na sua concha e são enganados pelos mitos sociais de que eles “são assim” e que se alguma mulher for gostar deles será pelo que eles são…

Uma coisa é certa…de estratégia percebem eles…na verdade deve ser o circuito mental mais desenvolvido no cérebro do “nerd”, naquele potente hemisfério esquerdo.

Bom, se esse nosso amigo ficar à espera que as coisas aconteçam “naturalmente”…vai engordar a lista dos jovens adultos com mais de 25 anos que nunca beijaram uma menina…assim como a dos que nunca deram uma furiscadinha…

E agora a sério, estamos a falar de pessoas profundamente infelizes e insatisfeitas consigo mesmas.

Essas pessoas não passaram pelo processo “natural” de aprender e viver certos sentimentos, pelo que estes são totalmente desconhecidos; olhares que nunca serão descodificados, gestos nunca compreendidos, palavras com duplos sentidos sempre confusas…a lei da relatividade é uma piada, comparada à complexidade de entender as mulheres…

Então, quem não teve a felicidade de aprender no processo de crescimento a ser “natural”, basicamente está fadado a apanhar o que vier, quando vier, se tiver sorte…ou a pagar a profissionais.

Como ajudar estes homens a serem mais felizes, se cada vez que se aproximam de uma menina bonita ficam tão nervosos que se engasgam para dizer “olá”? O nervosismo é tão palpável que vão literalmente assustar a menina, que por mais simpática que seja, vai sentir desconforto por estar perto de alguém que não está confortável consigo mesmo. Não vos parece uma área fundamental à felicidade na vida de cada um? Mas como explicar o invisível?…

Eureka!! Uma fórmula! Só através de uma estratégia, um plano de jogo. Algo concreto, que eles consigam entender, e não mitológico, como a ideia de que “essas coisas devem acontecer naturalmente, quando os astros se alinharem”…

Se não me engano, o pioneiro dessa ideia genial foi Mystery, um dos PUAS mais conceituados no universo da sedução. Ele criou o tal método, com fases, tal como os níveis de um videojogo. Vários métodos se seguiram, por outros autores.

Sem querer alongar-me nos detalhes, (se alguém quiser algum esclarecimento sobre o método é só deixar um comentário) a questão que lanço é a seguinte:

- Alguém profundamente descontente com a sua vida amorosa/sexual, aprende “as regras do jogo” e começa pela primeira vez na vida a experimentar sentimentos totalmente novos; sente-se mais à vontade com mulheres, começa a desfrutar mais da sua companhia, tem pela primeira vez uma relação estável. Provavelmente o seu primeiro contacto com aquilo que para ele será o conceito de amor. É feliz e faz outra pessoa feliz. Foi válido? Foi necessário explicar-lhe que a relação homem/mulher também obedece a equações; literalmente para ele, o amor foi produzido através de uma fórmula, um método. Eu pergunto aos românticos, defensores do amor “natural”, “foi contra-natura?” O fim justifica o meio?

Hate the player, not the game

“Hate the player, not the game”. Todos entram por alguma razão, eu já expliquei sumariamente as minhas, convido quem quiser a partilhar as suas. Quando alguém nos passa algum conhecimento, aquilo que fazemos com ele depende só de nós. Há jogadores que entram no jogo, usam e abusam do poder que adquirem, começam a viver de aparências e num frenesim de relações superficiais. Talvez venham a descobrir o que realmente vale a pena no jogo, ou talvez não. Talvez nunca queiram encontrar o amor, ou não acreditem nele, ou mudem de ideias no meio do caminho, e aquele conquistador impiedoso e sem carácter se torne num pai de família responsável, rendido ao amor.

Uma das razões pelas quais se reprova o uso destas “artimanhas”, é mais um mito, de que as mulheres serão vítimas da sedução, vão ser enganadas e usadas. Quem conhece um pouco do íntimo feminino sabe que as mulheres desejam secretamente ser seduzidas. Anseiam por sensações, anseiam por serem arrebatadas, levantadas do chão com um olhar; a metáfora do príncipe encantado, representa isso, a aventura. A mulher quando vos conhece não vai gostar de vocês pelo que vocês são, mas pelo que a fazem sentir, pelo que elas imaginam que podem ser para elas. Se não tiverem a capacidade de demonstrar com eficácia aquelas qualidades que têm e que vão fazer aquela mulher sentir-se bem, já era…se não souberem dar-se a conhecer como são, duma forma que faça a mulher sentir-se bem, já era…

É, não basta chegar e dizer “mulheres, amem-me, sou um gajo espetacular e cheio de qualidades, darei um bom namorado!”…

Se soubermos mostrar a nossa personalidade duma forma atraente para elas (isto implica saber como a mulher pensa, que é bem diferente do que imaginamos) vamos ter mais sucesso com as mulheres e elas vão adorar ser seduzidas, e seduzir também. É preciso sensibilidade para entender as mulheres, e ousadia também.

Na verdade muitas mulheres quando questionadas sobre o jogo, respondem que acham fantástico, homens realmente interessados em fazer algo pela própria felicidade; o facto é que elas sabem que o mundo está cheio de homens que não as compreendem, que não as sabem abordar, e elas estão entediadas com a falta de emoção nos próprios “jogos”…qualquer tentativa de tornar o jogo mais interessante vai ser muito bem recebida.

Existem inclusive PUAs mulheres, personal trainers, que ensinam homens a ter mais sucesso com o sexo oposto.

Vou deixar um link para verem a classe do trabalho desta menina, Kezia. Sou fã.

http://www.puatraining.com/puablog/author/kezia/

Jogar é contra-natura?

Não vou dizer que o jogo não é “contra-natura”…vou dizer que o jogo é PRO-NATURA! Poderá ser novidade para alguns, mas jogar, todos jogamos. Os animais jogam, têm os seus rituais de acasalamento. O macho que não souber fazer o que é preciso para atrair a fêmea, Darwin abafa. Aqueles homens que são naturalmente bons com mulheres, jogam. E como jogam. Apesar de agirem mais intuitivamente, em vez de conscientemente (diferença entre um natural e um PUA), se lhes perguntarmos as razões pelas quais eles são bons, vão saber explicar tudo. Vão saber explicar aquilo que funciona para eles, e se se dessem ao trabalho, poderiam escrever sobre isso. Só que a maioria dos naturais não tem paciência de pensar sobre essas coisas, tem preguiça, eles sabem o que fazer e pronto. Não se dão ao trabalho de desmembrar as razões, de desdobrar o processo.

Dois naturais famosos na História: Casanova e Marilin Monroe. Exímios sedutores, cujos segredos de sedução hoje são conhecidos casos de livro, pois os mecanismos de sucesso subjacentes são gerais e comuns a toda e qualquer sedução, seja essa de pessoas individuais ou multidões.

Um grande amigo meu é um natural. Já saímos juntos várias vezes, observei-o e conversamos muito sobre mulheres. Sem nunca lhe ter falado que estudava estas coisas, agora sabendo um pouco sobre “o jogo”, foi fácil perceber as razões do sucesso dele.

Durante a vida, por tentativa e erro ele foi criando o próprio circuito mental de sedução. As características que davam certo foi mantendo e aprimorando. A sucessão de eventos na vida dele foi feliz na criação desse “know-how”.

Todos passamos por isso, mas nem todos desenvolvemos esse jeito natural.

Todos jogamos, uns pior, outros melhor, mas na hora H todos fazemos o jogo que aprendemos. Mesmo aquilo que vocês acham que aconteceu “naturalmente”, que foi química, mágico…foi resultado de aprendizagens sociais. Lamento.

A grande novidade é: se a sucessão de eventos na nossa vida não foi feliz para o desenvolvimento de um circuito mental da sedução eficaz, não estamos perdidos para sempre. Podemos rever esse circuito e aprimorá-lo (o nosso cérebro é nosso, só nós poderemos reprogramar o seu software), assim como outros (quem já ouviu falar de NLP – programação neuro-linguística, sabe que é literalmente verdade).

Como o exemplo extremo do “nerd”. Eu nunca fui um “nerd”, mas em relação ao meu comportamento com as mulheres desenvolvi certas incertezas, inseguranças, preconceitos, comuns entre vários homens, verdadeiras “pedras no sapato” no meu jogo.

a magia branca do jogo

Por trás da aparente frieza com que apresentei o jogo, das frases e comportamentos artificiais, existe uma mensagem muito importante, para quem o estudar de forma mais profunda. A mensagem é de que o que precisamos não é saber como atrair mulheres, mas sim como nos tornar mais atraentes. Como desenvolver o nosso potencial, para deixar-mos de ser “nós próprios” e passarmos a ser “nós próprios no seu melhor”. The best self. Como orientações de um preparador físico para desenvolvermos um potencial atlético ou simplesmente ter um corpo mais bonito, beneficiamos também se o conceito for aplicado para desenvolvermos a nossa personalidade e ficarmos pessoas mais bonitas, de forma natural.

Esse desenvolvimento não se aplica só à relação com as mulheres, uma vez que aprendemos muito mais sobre a sociedade em geral, as várias relações inter-pessoais, comunicação. Aprendemos a conhecer-nos melhor, aos outros e à sociedade. Teremos mais sucesso não só nas relações amorosas, mas profissionais, familiares, inter-pessoais e individuais.

Resistência ao jogo

Esculpir o próprio ego dá muito trabalho, e o processo é doloroso. É mais fácil defender o ego. Apresentar desculpas como “eu não quero ter que aprender isto ou aquilo para atrair mulheres, elas têm que gostar de mim como eu sou” ou “eu não sou assim, só quero ser eu mesmo e que gostem de mim pelo que sou”. Sair da zona do conforto, não é fácil. Para não sairmos apresentamos todas as desculpas: “não quero conhecer mais gente, gosto mais de ficar na minha, este ou aquele tipo de mulheres não me interessam, se nunca dei uma furiscada até hoje foi porque não aconteceu, não estou preocupado” …Enfim, não preciso dizer a quem estão a enganar. Vão para casa tristes porque queriam ter dado uns beijinhos naquela menina bonita que estava na festa. Ignoram que não se trata de mudança, transformação, mas de uma evolução. Essa evolução acontece todos os dias, evoluímos todos os dias enquanto seres sociais.

As determinações sexuais biológicas existem e são muito fortes, se não o Homem não teria sobrevivido enquanto espécie. Acham que só porque hoje temos regras sociais as pressões biológicas são menores? Aceitem que são seres sexuais, naturalmente, e parem de se culpar por isso. Se não tivermos um conhecimento profundo sobre a nossa natureza, pressões biológicas e factores sociais vão provocar sempre uma grande confusão de sentimentos.

Como a questão: será que o Homem enquanto espécie é um ser adaptado à monogamia? Fica para outros capítulos…

Jogar o jogo pelo jogo.

Apesar de ter entrado no jogo acreditando profundamente no amor, e com o objectivo de o viver mais vezes e de forma mais satisfatória, sou a favor também do jogo pelo jogo. Convenhamos, é muito divertido. Quem, estando livre e desimpedido, não gostaria de ter mais mulheres na sua vida? Quem for, deixe um comentário por favor. Fútil? Não, sentimentos vitais para a sobrevivência da espécie. O nosso cérebro tem circuitos biológicos que estão lá por alguma razão, e se sentimos desejo por várias mulheres, é porque isso foi fundamental para a sobrevivência da espécie. Quanto mais parceiras, mais chances na Selecção Natural.

De tudo um pouco eu faço. Truques de magia, cold reading, neg, push pull, story-telling, role- playing, kino escalation, jealousy plotline e uma carrada de jogos psicológicos, artilharia pesada. Com um bom parceiro, o jogo fica 10 vezes mais divertido. Consigo um Fuck Close e fim.

Moral da história: em nenhum momento lhe dei esperanças de ser um futuro namorado, se for o que ela procura, sempre a trato bem, antes, durante e depois do FC. Faço questão disso, mantenho uma relação de amizade/empatia, mesmo que a nossa “relação” tenha sido por pouco tempo. Ela adorou conhecer-me e ter passado a noite comigo, ou seja adorou ser seduzida e eu também. Expandi a minha rede social. Conheço muito mais gente, aumento exponencialmente as minhas chances de conhecer o tipo de mulher que acho interessante (sim, porque é importante saber que características gostamos numa mulher), não deixando de ser um actor social, apenas desempenhando o papel com maior protagonismo. Por outro lado, posso até descobrir que ela é uma mulher interessante e querer uma relação mais séria. Nunca a teria conhecido se não me sentisse à vontade para falar com estranhos ou se ficasse nervoso na presença de mulheres bonitas (alguém quer escrever um post sobre as razões biológicas/evolutivas para a existência deste nervosismo?) e se não soubesse estar na pele de uma mulher e compreender melhor o que as atrai.

Sem aquela frase feita, que já trouxe de casa, teria ficado nervoso ao abordar o grupo. Sobre frases feitas, vou contar-vos um segredo:

- Todos usamos! Quando perguntam, “então, esse fim de semana?”, é um opener, uma frase feita que aprenderam socialmente e que se destina a direccionar a vossa conversa/interacção com aquela pessoa num certo sentido. “Olá, tudo bem?” “E então, o que contas?” “o tempo está feio, parece que vai chover”. Frases feitas, quebra-gelo.

Como um músico, quando começa a aprender, toca músicas feitas. Depois de a música se tornar natural nele, e conseguir expressar aquilo que ele é naturalmente através da música, vai começar a compor, coisas pessoais, músicas com o traço daquele artista.

Ao aprender a arte da sedução, a falta de prática pode fazer o iniciante sentir-se mais confortável ao usar uma frase feita, ou rotinas, ou métodos. Quando ele já tiver experiência suficiente, o jogo vai ser natural, já não vai ser tão pensado, vai expressar a sua própria personalidade. E como magia, vai conseguir mostrar como realmente é, e fazer com que os outros gostem dele por isso. Aí sim, ele vai ser ele mesmo, confortável como nunca se sentiu antes.

Kama-sutra = contra-natura?

Qual o casal apaixonado que nunca procurou informação sobre como dar mais prazer sexual ao parceiro? Ler o kama-sutra, aprender num livro essas coisas; não teria que acontecer “naturalmente”? Ou só o amor tem direitos de divindade?...Lamento senhoras, se os vossos maridos não sabem como vos proporcionar um orgasmo, conformem-se, porque é assim a natureza das coisas; não aconteceu “naturalmente”, não estava destinado; é assim que eles são e vocês têm que gostar deles como eles são não é? É o ca...lho, vão a correr comprar-lhe o manualzinho…

Aprender num manual como proporcionar mais orgasmos ao parceiro é bom e recomenda-se; aprender como seduzir o parceiro, é “contra-natura”…

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Tudo o que sabemos é resultado de uma aprendizagem, mesmo aquelas coisas que tomamos por certas.

Respirar, andar, falar.

Só usamos uma pequena parte da nossa capacidade respiratória, a grande maioria das pessoas beneficiaria de um curso de respiração, para aprender a respirar melhor e ter uma vida mais saudável. O nosso amigo André fez recentemente um curso desses, pode esclarecer os mais curiosos.

Aprendemos a andar nos primeiros meses de vida, mas será que andamos da forma mais correcta? Uma reciclagem neste conhecimento adquirido também traz muitos benefícios na nossa postura, na forma como somos percebidos pelos outros e na nossa saúde.

Nos primeiros anos de vida aprendemos a falar, também por imitação, mas será que usamos a nossa voz da forma mais eficiente? O João fez um treino de vocal coaching, pode explicar melhor este ponto. Melhorar a nossa comunicação é fundamental em todas as áreas da nossa vida.

São como diferentes matérias no nosso curso de “crescimento e desenvolvimento social” que vamos reciclando ao longo da vida, se formos inteligentes. Aquelas matérias que por uma ou outra razão não tivemos notas tão boas. Estamos sempre a tempo de aprender mais.

No entanto, um curso de respiração, de uso da voz ou de aperfeiçoamento do andar não causaria de longe tanta estranheza quanto aprender sobre os mistérios e encantos secretos do amor. É contra-natura. Fazer um curso de comunicação, para nos sentirmos à vontade a falar em público, é muito recomendado! Mas isso não deveria ser “natural? Não há aqueles que são naturalmente bons oradores? Não teriam os outros que se conformar com o que a natureza não lhes deu?...

Aprender sobre as relações entre homens e mulheres não se deve meninos, é contra-natura…

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confissões

Já amei e fui amado; já idealizei romances e vidas a dois; já tive um desgosto de amor, daqueles em que pensamos que nunca mais vamos viver algo parecido na vida e o chão foge debaixo dos nosso pés; já chorei por uma mulher…em frente a ela; senti o que é ver uma mulher que gostamos com outro homem; já senti inveja por ver outros gajos que achava menos merecedores que eu com muito mais mulheres que eu; já abordei uma mulher e fui rejeitado, por ela ou pelas amigas que a “puxaram e salvaram” daquele estranho; já tive one night stands; já senti raiva de mim mesmo por não conseguir ter ido falar com aquela menina da festa; já me senti triste por passar muito tempo sem que ter mulheres na minha vida; já fui romântico e mandei flores; já me apaixonei por alguém que conhecia há 1 dia…

Já vivi e vivo intensamente o amor.

Admito a minha falta de habilidade em certos cenários sociais, admito que fico nervoso na presença de uma mulher muito bonita, admito que a quero e não consigo fazer nada para evitar e só desejaria saber como fazê-la interessar-se por mim. Não procuro desculpas para justificar a inércia, a não tomada de atitude em relação ao que quero. Não procuro compensar nas outras áreas da minha vida, como sendo um excelente profissional, a falta de sucesso em outras áreas, como a emocional. Afinal de contas quero enganar quem? Isso é fraqueza, cobardia. Se não estou feliz assim, admito e tomo uma atitude. Procuro desenvolver-me a cada dia em todas as áreas, SEM NEGLIGENCIAR NENHUMA! SOU UM HOMEM, NÃO UMA AVESTRUZ!

E como tenho a certeza que tenho sucesso em tudo o que me proponho a fazer, porque faço apaixonadamente, consigo ver desde já a evolução que pretendo.

Que alguém que se sinta feliz com sua vida amorosa não tenha interesse em, conscientemente, tomar atitudes para se desenvolver socialmente (já que o processo vai acontecer de qualquer maneira, inconscientemente), até entendo…mas aquelas pessoas que notoriamente não são felizes e me dizem que o jogo é contra-natura…

Boa sorte!

Considerações finais

Como se costuma dizer, a ignorância é uma bênção.

Temos de escolher, apesar de às vezes nem termos a possibilidade. Ou abandonamos de vez o conhecimento e vamos viver para a floresta, ou já que é em sociedade que estamos, não sei quanto a vocês, mas eu pretendo conhecer o mais que puder dela, dos indivíduos que a compõem, de mim, enquanto ser social…porque em sociedade vamos aprender de qualquer maneira, por querer ou sem querer, consciente ou inconscientemente.

Só o conhecimento nos poderá libertar de velhos tabus. O conhecimento dos mistérios de um fenómeno não vai roubar nada à sua beleza. Pelo contrário, vai-nos permitir apreciá-lo de forma mais plena e natural. O amor vai sempre ser mágico, aos olhos de alguns. Sem dúvida, aos meus olhos sempre será. Vivo o amor apaixonadamente, mais a cada dia que passa. Ainda que o consigam explicar de trás para a frente, terá aos meus olhos sempre um beleza natural divina, mágica. Como a do relâmpago.

Aos meus amigos da “contra-natura”, defensores moralistas do amor poético: convido a partilharem connosco quantas daquelas confissões que eu fiz vos são comuns, e que outras gostariam de fazer; será mais enriquecedor para o debate do que discursos moralistas sobre o amor, baseados em ideias imaginárias. É mais fácil aderirmos a essas ideias do que admitir que não estamos a viver em pleno como desejaríamos. Desçam do vosso pedestal de velhas ideias formadas e clichés, não subestimem o tempo que eu e o João já passámos a estudar aprofundadamente isto. Nós sabemos o valor e a importância que está a ter no nosso crescimento pessoal, e o quão fundamental será para a nossa felicidade. Se quiserem dizer que é contra-natura, não se baseiem na “capa do livro”, não sustentem a vossa opinião em primeiras impressões, porque nós também não. Pelo menos dêem-se ao trabalho de fundamentar a opinião com a vossa própria pesquisa (podemos contribuir com a nossa bibliografia, que é mais séria do que a que imaginam, acredito) e história pessoal, e argumentem com substância. Velhas opiniões não, obrigado. Também temos sentimentos, e conceitos individuais do amor. Também somos poetas e românticos. Não queremos matar o amor, nem dizer que ele se resume a métodos e fórmulas.

Errados ou não, estamos simplesmente a querer aprender mais sobre ele.

Bons jogos!

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